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Brasil

Publicada em 25/09/18 às 08:24h - 68 visualizações
Vovô de 90 anos entra na universidade. “Estava acomodado”

Só Notícia Boa


 (Foto: Leonardo Rodrigues/G1)

Todo dia é tempo de aprender. É o que mostra um vovô de 90 que fez vestibular, foi aprovado e se matriculou na universidade para cursar arquitetura e urbanismo no centro universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, São Paulo.

O desenhista de projetos Carlos Augusto Manço decidiu voltar a estudar este ano e no primeiro dia de aula despertou tanto a curiosidade dos colegas, que passou a ser o aluno mais querido da classe e também o mais presente.

“Aqueles meninos me tratam bem também, molecada boa. Eu fiquei meio esquisito no meio da turma, porque você vê tudo meninos com cerca de 20 anos. Todos queriam conversar comigo, cumprimentavam. Agora o negócio está indo bem, estou mais relaxado. As matérias que eles estão aprendendo eu já sei. Eu consigo me adiantar um pouco mais”, disse ao G1.

A convivência e os anos de experiência levaram o vovô a se tornar uma espécie de consultor, quando o assunto debatido em sala é conhecido dele. Ele oferece ajuda quando um colega ou outro precisa.

”Eu tenho paciência com eles, eles não me tiram do sério, não. De vez em quando eu dou uma ajudinha sim. Eu até perguntei para a direção se eu podia ensinar algumas coisas se precisassem e eles disseram que não tinha problema e que eu poderia ensinar. Eu não posso é fazer para eles, mas ajudar sim.”

O idoso não pretende voltar mercado de trabalho ele quer apenas aprender mais.

“Até posso abrir um escritório de associados com outras pessoas, mas eu não vou ocupar o lugar deles. Já está difícil para eles [jovens], mais um ocupando fica mais complicado ainda”, diz.

“Acomodado”

Carlos Augusto Manço trabalhou mais de 35 anos no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto como desenhista de projetos e está há quase 25 anos aposentado. Foi ele quem ajudou a projetar grande parte da estrutura do hospital que existe até hoje.

“Eu já vinha ensaiando, eu não sei explicar. Eu estava acomodado. ‘Por que eu vou esquentar a minha cabeça se não precisa?’ Agora, tomei coragem e fui. Vamos ver se aguento completar esses cinco anos. Eu achei que podia fazer, que ia saber fazer, eu achei que ia ser fácil, mas dancei”, brinca.

“A cabeça está aprendendo a aprender. Você para de estudar e a cabeça fica meio dura, mas o cérebro funciona bem. Se não funcionar, você está morto”, diz.

Após servir no Exército e voltar a Ribeirão, o idoso aprendeu a desenhar e conseguiu um emprego no Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), lugar onde conheceu a mulher, com quem teve dois filhos.

“Como eu saí do Exército com 19 anos e não tinha uma profissão, eu consegui uma vaga no Daerp e aprendi a desenhar lá.”

Na universidade, ele conta que teve dificuldades em algumas matérias da grade, como ‘Tecnologia das Construções’ e ‘Metodologia Científica’. Em uma das provas que fez, errou quase todas as questões.

“A primeira prova que eu fiz de material reciclável errei todas as perguntas. Eu não tinha pegado o papel onde tinha a matéria e depois eu fiz uma prova oral com a professora. Quando eu estava no começo, eu perguntei se tinha errado tudo e eles disseram que sim, eu tinha errado tudo.”

Ao saber dos erros, ele redobrou os estudos, pegou o texto indicado pela professora e refez a prova. “A professora me disse ‘ainda bem que você estudou, Augusto’”, lembra.

Carlos Augusto Manço - Foto: Leonardo Rodrigues/G1

Carlos Augusto Manço – Foto: Leonardo Rodrigues/G1

Amor

O volume de conteúdo é grande, mas Manço estabeleceu uma rotina de estudos para não deixar nada pendente. No entanto, alguns trabalhos ainda passam batido e os professores não fazem corpo mole.

“Eu já tomei bronca, tomo bronca toda hora. Eles falam ‘você deixou para amanhã, né, Augusto?’. Se você deixa para amanhã, você não faz. Antes os desenhos eram feitos a mão com uma ‘canetinha especial’ e hoje é tudo no computador. Me parece que isso vai ser eterno, ninguém vai voltar a fazer desenho em papel vegetal.”

Amor é a palavra que move o estudante.

“Se eu vou fazer uma casa para quem quer que seja, eu tenho que colocar meu amor, meus sentimentos, minha vibrações. As paredes vão refletir aquilo para os novos proprietários. Não adianta você fazer uma casa que a pessoa não se sinta bem dentro”, conclui.




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