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Jovem que perdeu família para o tráfico vira professor

Publicada em 29/09/18 as 14:50h por Razões para Acreditar - 166 visualizações

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 (Foto: Vinícius Miranda/Arquivo pessoal)

Filho, sobrinho e irmão de traficantes mortos. As portas do tráfico estavam abertas para Vinícius Miranda, mas ele disse “não”. O jovem acaba de se formar em Educação Física. A primeira etapa do curso, a licenciatura, já foi. Ele segue na faculdade para completar o bacharelado.

Vinícius, 25 anos, quis logo exibir o seu primeiro diploma para fazer um desabafo. Ele postou uma foto na sua conta no Twitter dizendo que poucas pessoas acreditavam que ele teria um final diferente do seu pai, de um tio e de um irmão.

“Vou exibir isso aqui em todo lugar mesmo, pq eu lutei pra conquistar. É preto, favelado e PROFESSOR! Tô formado”, escreveu. 

Dez dias depois, o post tinha quase 50 mil curtidas e 11 mil compartilhamentos. Vinícius, mais conhecido como “Vinícius Jump” disse em entrevista para o site Rio de Boas Notícias que ficou surpreso com a repercussão e que é um “sobrevivente”.

“Vejo tanta coisa ruim acontecendo ao meu redor. Família e amigos morrendo ou sendo presos. Não viu ninguém chegando ao ensino superior. Me sinto um sobrevivente”, conta.

Nascido em Vigário Geral, comunidade na Zona Norte do Rio, viveu lá até os 9 anos com seus padrinhos. Hoje, ele mora no bairro Santa Cruz, o mais distante do centro da cidade, com sua mãe, padrasto, irmãos, sobrinhos e cunhados – 12 pessoas dividem a mesma casa.

Vinícius teve pouco contato com seu pai, perdido para o tráfico, em um assassinato, quando ele tinha apenas 3 anos. Um tio de Vinícius teve o mesmo destino: se envolveu com o tráfico e desapareceu.

Porém, a maior perda de todas foi a de um irmão três anos mais velho. Giovane tinha 15 anos quando foi assassinado, em 2011. “Ele não dava nenhum indício de envolvimento com o tráfico. Era tranquilo e estudioso. De repente sumiu de casa e aí descobrimos. Um mês e meio depois, morreu”, lembra.

Depois da morte do irmão, Vinícius decidiu que não queria ver a mãe chorando a morte de mais levado pelo tráfico. Foi quando ele decidiu fazer faculdade de Educação Física.

Vinícius estuda na Universidade Salgado de Oliveira, em Niterói, com uma bolsa de esportista – participa de competições de atletismo representando a universidade. Mas, apesar de ter a bolsa, enfrentou dificuldades financeiras e até pensou em desistir. Trancou a faculdade por um semestre por falta de dinheiro.

“Precisava pagar a passagem e não dava. Também tinha que fazer cursos extracurriculares exigidos e não tinha como bancar. E, quando tinha, precisava usar um computador para fazer os trabalhos e era preciso arrumar alguém que me emprestasse”, lembra.

Ele só voltou para a faculdade porque contou com a ajuda da mãe, do avô e do padrasto. Vinícius fez questão de agradecer esse apoio nas redes sociais quando foi acusado de “vitimismo”.

Formado, Vinícius começa a planejar seu futuro. Ele pretende dar aulas em colégios e ser treinados de atletismo para descobrir novos talentos do esporte. Ele também escreve poesias e letras de rap e espera ganhar mais visibilidade na cena artística.






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