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A FORÇA DA CIRCULAÇÃO DO DINHEIRO

Publicada em 04/02/24 as 10:55h por José Nilton Fernandes - 51 visualizações

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 (Foto: Reprodução Google )

Em outubro de 1947, o mineiro Zélnio Calado desembarcou no Porto dos Barcos, em Aracati, na qualidade de representante comercial de uma metalúrgica de Minas Gerais, com o propósito de vender seus produtos nessa praça: pás, foices, chibancas, enxadas, etc. Hospedou-se no Hotel Cabeça de Bagre. Desconhecia o Sr. Zélnio que, nesse dia – 25 de outubro – se comemorava a emancipação política do município de Aracati, elevada que foi de vila à cidade, conforme Lei Provincial n° 244, do ano 1842. Portanto, feriado. Mesmo assim, Zélnio iria procurar convencer alguns empresários a recebê-lo. 

Reservou sua estada no hotel, sem, contudo, garantir que efetivamente se hospedaria. Voltaria no mesmo dia, se fosse acolhido pelos empresários aracatienses. Vicente Cabeça de Bagre, o proprietário do hotel, sugeriu-lhe que seria melhor pagar uma diária, antecipadamente, pelo menos, pois, a demanda mostrava-se bem aquecida. Zélnio concordou, desde que o dinheiro lhe fosse restituído de pronto, caso obtivesse êxito em suas visitas. Deixou sua mala na portaria. Vai e faze o que tens a fazer! Verbalizou o hoteleiro, garantindo que não haveria problema na restituição do dinheiro, embora, na intimidade, rogasse a Deus para que os empresários não o recebessem, já que estava precisando desse valor urgentemente para quitar uma dívida improrrogável, de importância parecida. 

Ao tempo em que Zélnio saía em busca dos empresários, Vicente também se mandava ao mercado público para saldar uma dívida que contraíra junto ao açougueiro Martins Cajazeira, atinente à compra de carne bovina, cujo total era o mesmo, do recebido do caixeiro-viajante mineiro, pagando, inclusive, com as mesmas moedas entregues pelo empregado da metalúrgica. 

Minutos depois, o Sr. Martins Cajazeira, homem de conduta austera, parte imediatamente para a mercearia de Armando Pacamão, ainda no mercado, a quem devia igual importância, proveniente da aquisição de cereais. 

Por tratar-se de pessoa muito honrada - exageradamente direito - Armando Pacamão dirige-se à farmácia do Sr. Aureliano Cruz, portando tais moedas, entregando-as em pagamento de dívida correspondente a remédios adquiridos. 

Nesse ínterim, como se o tempo caminhasse a passos largos, e os ponteiros do relógio participassem de uma corrida - o dos segundos querendo ultrapassar o dos minutos, e este, o das horas, pôs-se Vicente a imaginar o que faria caso o caixeiro-viajante resolvesse a não mais se hospedar. De que modo iria devolver-lhe o valor recebido condicionalmente! Esmagado por essa sensação, entregou seu futuro ao seu futuro... 

Enquanto o sino da Matriz badalava às três da tarde, o proprietário do hotel enxergou, a custo, uma pessoa se aproximando com o andar pra lá e pra cá, como se fosse o de um marinheiro. Parecia o Zélnio. Era ele, sim, já que em Aracati não existia ninguém de pernas tão tortas como às dele. No início, o achava bastante feio, mas agora via, na verdade, ser horroroso, um Quasímodo. Os olhos deles se encontraram novamente e meteram-se pelas almas adentro, com candura no coração do caixeiro-viajante, enquanto, no do Vicente, esbarrou numa fumaça de ódio que vinha em sentido contrário. 

Boa tarde, Sr. Vicente! Venho somente pegar a minha mala; vou zarpar agora mesmo, no barco que sai às 17 horas. Mande alguém trazer minha bagagem; ia esquecendo! E o dinheiro também, por favor... 

Entrementes, irritado por sair da farmácia, Sr. Aureliano toma o rumo do Hotel Cabeça de Bagre, com o firme propósito de liquidar o valor de uma diária de responsabilidade de seu sobrinho, obrigação dada a conhecer somente há instantes. A cada passo, Aureliano esculhambava mais e mais o filho de sua irmã. 

Quanto lhe devo, seu Vicente! 

Dois mil réis, seu Aureliano! 

Vicente Cabeça de Bagre, ainda na presença de Aureliano, recebe as mesmas moedas antes referidas - dois mil réis - repassando-as imediatamente ao viajante Zélnio, honrando, assim, sua palavra. Dias depois, Vicente, em conversa com sua irmã Virgínia, após o assunto ser recorrente na boca do povo, resolve refazer os fatos: 

"Interessante, o dinheiro que recebi do Caixeiro-viajante ainda não era meu. Estava apenas empenhado, por conta de hospedagem que nem sequer se materializou. Essas mesmas moedas, após pagarem minha dívida junto ao açougue, quitou, sucessivamente, através de outros, a bodega, a farmácia, e a mim mesmo, que logo as devolvi ao Sr. Zélnio”. Em resumo: com as mesmas moedas, o viajante pagou ao hoteleiro; este, ao açougueiro, o qual quitou dívida junto a Armando Pacamão, que, no que lhe concerne, as entregou ao proprietário da farmácia, tendo este pago as mesmas moedas ao hoteleiro, e este, finalmente, paga ao caixeiro-viajante, em devolução, que se mandou com o dinheiro que era seu.

Mesmo hoje, tão distante desse acontecimento, os descendentes de Vicente Cabeça de Bagre ainda procuram entender como tudo isso foi possível. A questão permanece em aberto, à procura de matemáticos, contadores ou economistas, no sentido de esclarecê-la. Se houve prejuízo, quem arcou com ele? Se ninguém ficou devendo a nenhum desses citados, como explicar isso, se as mesmas moedas foram devolvidas ao Zélnio, o caixeiro-viajante! 

Fortaleza, 31 de janeiro de 2024

 

Pobre da matéria! Até mesmo o melhor dos frutos dá bicho. 

A vida é mesmo assim: Amadurecer é completar seu tempo.

 






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